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Lição 8 – A Igreja e o Sistema do Mundo

LIÇÃO 8 – A IGREJA E O SISTEMA DO MUNDO

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Em se tratando do mundo e seu sistema pecaminoso, que postura deve o cristão ter diante dessa sociedade que, tal como abordado nas lições passadas, se tornaram relativistas em todas as suas áreas?
Esse é um bom momento para dialogar com os alunos sobre a atual crise de valores éticos que a cada dia estão sendo dilapidados em nossa sociedade tanto na política como na educação e na economia de nossa nação. Faz-se também necessário lembrar dos princípios bíblicos sobre o papel da Igreja e sua influência no mundo, tão bem apresentado pelo apóstolo do amor – João, o autor das cartas joaninas. Recomenda-se, portanto, uma breve leitura dessas cartas e o teor relevante para o nosso bom viver diante desse mundo e seu sistema maligno.

PALAVRAS-CHAVE
Mundo • Igreja • Pecado


OUÇA O ÁUDIO

 

OBJETIVOS

• Mostrar a natureza do sistema pecaminoso e como ele opera no mundo.
• Enumerar as principais áreas em que se manifestam os efeitos do sistema pecaminoso.
• Exemplificar como a Igreja confronta o sistema pecaminoso no mundo.

 

PARA COMEÇAR A AULA

Como identificar em seus alunos o grau de conhecimento acerca do que está acontecendo no mundo hoje? Estão eles informados sobre a real situação política e econômica do país?
Uma boa dica seria você levar para sala de aula alguns recortes de notícias de jornais locais com imagens e textos e propor a eles uma breve discussão sobre o atual momento em que se encontra nossa nação. A partir daí, introduza os objetivos a que se propõe a lição sobre o sistema operante no mundo e seus efeitos, e também de que forma a Igreja pode enfrentá-los.

 

RESPOSTAS DAS PERGUNTAS

1) O sistema e o indivíduo, o sistema e a comunicação e o sistema e a nação.
2) Na política, na educação e na economia.
3) O da omissão.

 

LEITURA COMPLEMENTAR

Somos chamados para sermos relevantes aqui. Claro que o sistema mundano, pecaminoso, tudo faz para que fiquemos na defensiva e tenta impor o seu estilo de vida como normal. Corremos o risco da contaminação. Mas o que o Senhor roga ao Pai em nosso favor é que sejamos guardados, protegidos, ao mesmo tempo em que descemos aos lugares mais sórdidos de onde estamos – o mundo – para vivermos os princípios do Reino sem sermos contaminados.
A questão, portanto, não é de vida cristã dicotômica – cristã e secular – mas da perspectiva correta sobre como vivemos a nossa vida de forma única, em todas as suas facetas (…). A inclinação para o mal corrompe as coisas em que o homem põe as mãos, porque elas também são afetadas pelo pecado e estão sujeitas a ser corrompidas. Mas o propósito de Deus continua a prevalecer, independente do modo como age o ser humano.
Livro: “Visão Cristã sobre Política” (COUTO, Geremias. Editora Visão Cristã, Campina Grande, PB, 2015, pp. 19, 25).
Estudada em 25 de Novembro de 2018

 

LIÇÃO 8 – A IGREJA E O SISTEMA DO MUNDO

Texto Áureo
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.” 1jo 2.15

 

Verdade Prática
A incompatibilidade entre o sistema pecaminoso do mundo e o Reino de Deus torna a Igreja uma voz profética contra toda forma de opressão.

 

DEVOCIONAL DIÁRIO

Segunda- Jo 15.16-19 – A Igreja é odiada pelo mundo
Terça – 1Co 6.1,2 – A Igreja julgará o mundo
Quarta – Jo 14.27 – A paz que excede o mundo
Quinta – Jo 17.21 – Como a Igreja se mostra ao mundo
Sexta – 1jo 4.13-17 – A Igreja testifica no mundo
Sábado – 1Co 1.26-31 – A glória da Igreja no mundo

 

LEITURA BÍBLICA
1 João 2.14-17
14 Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.
15 Não ameis o mundo nem as coisas que ha no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;
16 porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concu- piscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.
17 Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

 

Hinos da Harpa: 84 – 77

 

ORGANIZAÇÃO DESTA LIÇÃO NA REVISTA IMPRESSA

INTRODUÇÃO

I. O SISTEMA PECAMINOSO DO MUNDO
1. 0 sistema e o indivíduo 1jo 2.15
2. O sistema e a comunidade 1jo 2.16
3. O sistema e a nação Ap 18.3

 

II. OS EFEITOS DO SISTEMA PECAMINOSO
1. Os efeitos na política Dn 10.1-30
2. Os efeitos na educação Dn 1.1-5
3. Os efeitos na economia 1Rs 12.1-10

 

III. A IGREJA E O SISTEMA PECAMINOSO
1. A Igreja não se omite Tg 4.17
2. A Igreja não se alia jo 18.36
3. A Igreja profetiza Ef 4.11

 

INTRODUÇÃO

 

A IGREJA E O SISTEMA DO MUNDO
O contexto do vocábulo mundo na primeira carta de João, como aparece na leitura bíblica, não se refere à humanidade em geral, como em João 3.16, nem ao Universo, como em Hebreus 11.3. Nesta passagem, mundo tem a ver com o sistema pecaminoso que, em competição com Deus, domina as estruturas mundanas em todos os sentidos.
Em virtude de o sistema exigir também lealdade, assim como faziam as nações pagãs do Antigo Testamento, a Igreja tem de afirmar sua lealdade a Cristo e exercer sua voz profética contra todos os desmandos produzidos por tal idolatria.

 

I. O SISTEMA PECAMINOSO DO MUNDO

1. O sistema e o indivíduo. Observemos inicialmente que o pecado reside no coração do homem. É tanto que a Bíblia diz que Deus pedirá contas a cada um individualmente (Rm 14.12). É aí que ele faz morada e transtorna toda uma vida, como também afeta as estruturas nas quais a pessoa vive (Tg 1.14,15). Essa é a condição humana. Uma natureza decaída. Todos foram encerrados debaixo do pecado. Isso significa que não há como dissociar o indivíduo dos atos pecaminosos que pratica, por que estes, concebidos no coração, acabam entrelaçados com o sistema no qual atua. Em outras palavras, as estruturas não são neutras.

Por outro lado, lembremo-nos também de que a Queda trouxe degradação à própria natureza (Gn 3.18) e tornou o mundo um sistema dominado pelo maligno (1jo 5.19). É por isso que Pedro, em sua pregação, aponta para o tempo da restauração de todas as coisas, um retorno ao estado primitivo, como no Éden, quando se cumprirá em definitivo o que disse João Batista acerca de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
Ou seja, aonde chegamos encontramos presente a marca e os efeitos do pecado. Mas enquanto isso, somos admoestados por João a não amar esse sistema e os males que ele produz (1jo 2.15).

2. O sistema e a comunidade. Tal quadro se manifesta de forma hostil na comunidade mediante a tolerância do mal, a inação de autoridades no cumprimento de seu dever e a pecaminosidade inata de cada indivíduo, que formam um caldo cultural propenso à licenciosidade (indisciplina, aversão a regras), ao hedonismo (culto ao prazer), à violência e a completa depravação moral e social. São “as coisas que há no mundo”, cada vez mais praticadas sob a luz do sol como se normais tais atos fossem (1jo 2.16).
A verdade é que por baixo de uma capa de aparente normalidade a exploração do mal como meio de se locupletar, e com isso perpetrar o despudor, a injustiça, a corrupção, a destruição de lares, a oposição a Deus, entre outras coisas, é o resultado do que Paulo chamou de “operação do oito”, segundo a eficácia de Satanás, que domina o presente século. É o mal em sua dimensão mais hedionda e funesta.

3. O sistema e a nação. Temos de convir, inclusive, que mesmo nações, em suas diversas formas de existir, não escapam à sanha desse sistema pecaminoso que opera no mundo, cujo retrato sem retoques é estampado em seu auge no Apocalipse (Ap 18.3). E uma engrenagem movida por homens ímpios, mas que espalha os seus tentáculos em todos os segmentos da sociedade, alimentando se de três ambições que caracterizam o coração pecaminoso, como bem advertiu João: o desejo da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida (1jo 2.16). Esses males subvertem o bem. São como correias de transmissão que fazem funcionar a engrenagem.

 

II. OS EFEITOS DO SISTEMA PECAMINOSO

1. Os efeitos na política. O sistema pecaminoso mundano encontra-se em todo lugar onde está o homem. Não há um setor que não sofra os seus efeitos. Afinal – reafirme-se – é o mundo que jaz no maligno. Mas há três áreas em que ele mais atua para ver os seus objetivos alcançados.
A primeira delas é na política, visto que a governança se faz a partir do seu exercício. Quanto mais homens de corações ímpios estejam em posição de autoridade, mais o sistema mantém as suas garras afiadas. Isso explica as reiteradas tentativas de impor políticas públicas injustas, subverter valores imutáveis e conceder ao Estado um grau de intervenção que o torna um “deus” a ser adorado, como na época dos antigos impérios (Dn 3.1-30).

2. Os efeitos na educação. Na área da educação, os tentáculos do sistema pecaminoso também atuam com ligeireza. O motivo se deve ao fato de os seus estrategistas, se não forem contidos, terem em mãos uma enorme massa de crianças, adolescentes e jovens ainda em formação aos quais têm condições de moldar, doutrinar e preparar segundo os seus valores materialistas, ao invés de se preocuparem em oferecer uma educação escolar que faça sentido para a vida. Ofertam com isso uma espécie de culto a Moloque (Jr 32.35). O Estado absolutista sempre lutou para manter as rédeas entre essas faixas etárias. Foi o que tentou fazer Nabucodonosor com os jovens e príncipes de Israel (Dn 1.1-5).

3. Os efeitos na economia. Por fim, neste tópico, o sistema pecaminoso tenta também impor o seu controle na área econômica. Quanto mais um povo tornar-se dependente do Estado, através de leis que estrangulam a sua capacidade de gerir os próprios recursos, haverá menos liberdade na mesma proporção em que o poder opressor dominar a economia de um país. Israel por algumas vezes enfrentou situação parecida em seu próprio sistema, como no caso de Roboão e na época do profeta Jeremias (1Rs 12.1-10; Jr 22.13- 17). O Estado sempre nivelará por baixo para impor suas garras sobre o povo. É assim que o sistema pecaminoso age.

 

III. A IGREJA E O SISTEMA PECAMINOSO

1. A Igreja não se omite. Isto posto, é importante deixar claro que à igreja não cabe o papel da omissão. Omitir-se em praticar o bem, seja por palavras, seja por ação, é cometer pecado, segundo a ótica de Tiago (Tg 4.17). Como já dito anteriormente, não há atitude neutra no Reino de Deus.
Aliás, o próprio Senhor a condenou ao referir-se à mornidão do anjo da Igreja de Laodiceia (Ap 3.15,16). É grave pecado fechar os olhos, ignorar, passar ao largo e admitir que governos injustos oprimam o povo e vivam na opulência à custa da corrupção que destrói a saúde, mina a educação, fragiliza as estruturas e arruína o bem comum em geral. Sim, porque tal comportamento desonra a justiça e a glória de Deus na vida da Igreja e do homem.

2. A Igreja não se alia. Por conseguinte, a Igreja também não se alia ao sistema deste mundo, porque, além de não ser essa a sua vocação, ela não pode, igualmente, subjugar-se ao poder temporal sob pena de deixar de cumprir o propósito de sua existência e comprometer a sua voz profética (1jo 2.14,17). A questão ficou muito cristalina, quando os discípulos, mesmo após a ressurreição de Cristo, continuavam ainda preocupados com a autodeterminação política do povo de Israel, tendo sido então lembrados mais uma vez, como apóstolos da Igreja, de sua tarefa missional: testemunhas do Senhor até os confins da terra (At 1.8). O próprio Jesus, em seu julgamento diante de Pilatos, asseverou: “0 meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36).

3. A Igreja profetiza. Portanto, a partir do momento em que a Igreja não se omite, mas também não se alia, cabe-lhe então:
1) Proclamar diuturnamente as boas novas que transformam o homem a partir do seu interior, para uma vida de justiça, paz e alegria no Espírito Santo;

2) Exercer a sua voz profética, assim como exerciam os profetas do Antigo Testamento, que não temiam denunciar os abusos dos reis de Israel;

3) Compreender que, como ensinou Paulo, um dos ofícios-dados à Igreja é o de profeta, o mesmo que porta-voz de Deus para expor de forma retilínea todo o conselho de Deus revelado na Escritura (Ef 4.11);

4) Preparar os crentes para que exerçam o seu papel de sal e luz em todos os segmentos, inclusive político, sem jamais se contaminarem com o sistema pecaminoso do mundo.

Ressalte-se que o profetismo da Igreja não se restringe apenas aos temas morais e aos valores imutáveis, como a defesa da vida, a preservação da família nos moldes bíblicos, o combate aos desvios sexuais e outros pontos inegociáveis da fé cristã. A sua voz precisa ser ouvida contra toda sorte de opressão – venha de onde vier – que se opõe contra Deus e exalta o sistema pecaminoso do mundo. Lembrando, por fim, que o mundo como conhecemos passará, mas quem fizer a vontade de Deus permanecerá para sempre (1jo 2.17).

 

O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética…  O que me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

 

APLICAÇÃO PESSOAL

A Igreja que abre mão de princípios inegociáveis para mostrar-se amigável ao mundo e ao sistema pecaminoso que nele predomina perde as suas características, torna-se ineficiente em seus propósitos e ineficaz em sua mensagem.

 

RESPONDA

1) Quais são os dois sentimentos que Paulo apresenta para enfatizar o equilíbrio da vida cristã?
2) Qual a postura que se espera de um cristão na política?
3) De acordo com a lição, quais devem ser as ações dos cristãos na política?

 

VOCABULÁRIO

Funesta: algo lamentável, sinistro, que pressagia morte ou traz consigo desgraças.
Hedonismo: o prazer como um bem supremo.
Hedionda: pavoroso, repelente, repulsivo.
Locupletar: encher, abarrotar, tornar-se abastado.
Licenciosidade: característica de quem age sem disciplina, desregradamente.
Retilínea: que segue uma trajetória em linha reta.