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Lição 6 – Pensando no Céu, com os Pés na Terra

PENSANDO NO CÉU, COM OS PÉS NA TERRA

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Apesar do significativo papel exercido pelos cristãos em toda a face da terra, temos a convicção de que nossa missão aqui é temporária. Aliás, tudo aqui na terra deve ser por nós encarado como sendo passageiro, inclusive nossa estada.

 

OBJETIVOS

  • Destacar que a nossa vida peregrina não nos deve levar à passividade.
  • Explicar a tensão entre o agora e o porvir à luz da perspectiva do Reino de Deus.
  • Esclarecer que buscar a paz do lugar onde vivemos também nos proporciona paz.

 

PARA COMEÇARA AULA

Nesse momento, enquanto estudamos a lição que aborda justamente sobre nossa brevidade aqui no mundo, que tal perguntar ao aluno qual a perspectiva que ele tem da nossa eterna morada nos céus?

Mesmo dispostos a lutarmos pelo nosso bem-estar aqui enquanto vivermos, lembremo-nos que estamos aqui apenas como forasteiros no mundo, mas com a nossa passagem preparada para alçar voo às mansões celestiais.

 

PALAVRAS-CHAVE

Provisoriedade • Passividade • Tensão • Esperança • Paz

 

Esta lição segue a mesma proposta de exemplos de personagens bíblicos, que mesmo sendo homens de Deus, não se deixaram corromper com as coisas do mundo, tal como tratado na Lição 2, que fez menção do governo de José no Egito.

Nesta, em especial, o exemplo citado é o de Jeremias, na Babilônia. Proponha aos alunos uma breve exposição de algumas características que eles poderiam encontrar na vida deste que se tomou uma referência entre o povo de Deus durante o tempo em que eles estiveram no cativeiro babilônico.

 

RESPOSTAS DAS PERGUNTAS

1)        A apostasia.

2)        O mundo e seu sistema.

3)        A paz entre os homens.

 

LEITURA COMPLEMENTAR

Ele (Jeremias) foi muito incisivo: “Busquem a paz da cidade. Se ela tiver paz, vocês também terão”. O profeta falava àquela leva que tinha sido trazida para o exílio, antes do assalto final de Nabucodonosor contra Jerusalém. Os falsos profetas insinuavam que eles ficariam ali por no máximo dois anos – e não durante os 70 profetizados por Jeremias – e que, por isso mesmo, não deveriam envolver-se com nada no cativeiro.

Então o profeta reafirma o que Deus predissera, dá orientações sobre como se comportarem na Babilônia e enfatiza o “buscar a paz da cidade”, ou seja, pensar no interesse coletivo (…), para, então, concluir que eles seriam beneficiados se o interesse da coletividade estivesse em primeiro lugar.

Quando preconizamos a valorização da família, carga tributária justa, correção das desigualdades sociais, educação de excelência, medidas estruturantes, cuidado com o ambiente, acesso à saúde de qualidade e segurança para garantir o direito de ir e vir, estamos pensando na “paz da cidade”, no seu interesse coletivo e não em sermos meros utilitários, em nosso próprio benefício.

Livro: “Visão Cristã sobre Política” (COUTO, Geremias. Editora Visão Cristã, Campina Grande, PB, 2015, p. 44).

 

Estudada em 11 de novembro de 2018

 

LIÇÃO 6 – PENSANDO NO CÉU, COM OS PÉS NA TERRA

 

TEXTO ÁUREO

“Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.”  Jr 29.7

 

VERDADE PRÁTICA

Atitudes que promovam o bem-estar do lugar onde provisoriamente vivemos harmonizam-se com o elevado padrão do Reino de Deus.

 

DEVOCIONAL DIÁRIO

Segunda – 2Co 5.1-10 A provisoriedade da nossa habitação

Terça – Mt 5.13-16 O efeito benéfico das atitudes cristãs

Quarta – Fp 1.21-25 A satisfação plena em Cristo

Quinta – SI 137 Com os olhos fixos em Sião

Sexta – 1Pe 2.11,12 O firme caráter da nossa peregrinação

Sábado – Jo 14.1-3 Na esperança da habitação definitiva

 

LEITURA BÍBLICA

Jeremias 29.4-7

4         Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia:

5         Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seu fruto.

6         Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais.

7         Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.

 

Hinos da Harpa: 515 – 300

 

PENSANDO NO CÉU, COM OS PÉS NA TERRA

  

ORGANIZAÇÃO DESTA LIÇÃO NA REVISTA

 

INTRODUÇÃO

I. A CONDIÇÃO PEREGRINA DO CRISTÃO

  1. Forasteiros Jr 29.4; 1Pe 2.11
  2. Habitação provisória Hb 13.14
  3. Tendência à passividade Jr 29.8  


II. A TENSÃO ENTRE O AGORA E O PORVIR

  1. A tensão em perspectiva Tg 4.14
  2. A tensão alimentada Cl 3.1-14
  3. Vencendo a tensão Fp 1.21-25


III.       PENSANDO NO CÉU, COM OS PÉS NA TERRA

  1. Vivendo em Babilônia Jr 29.5, 6, 10, 11
  2. Cultivando a paz em Babilônia Jr 29.7
  3. Mantendo as malas prontas Jr 29.10

 

INTRODUÇÃO

A carta enviada por Jeremias aos judeus no exílio babilônico nos permite uma analogia perfeita sobre as condições do cristão enquanto no mundo. O que provocou a atitude do profeta, ao que parece, foi a percepção de certa passividade das famílias judaicas, às quais, influenciadas pelos “profetas triunfalistas”, davam a impressão de querer abrir mão de uma vida ativa sob a expectativa de um breve retorno a Sião.

Jeremias procurou, então, pôr as coisas sob a perspectiva correta, pois tudo quanto ali fizessem teria também enorme influência quando deixassem o exílio.

 

I. A CONDIÇÃO PEREGRINA DO CRISTÃO

 

1. Forasteiros. Após várias incursões da Babilônia em Israel, os judeus foram finalmente levados ao cativeiro babilônico por Nabucodonosor, no ano 586 a.C., em cumprimento às profecias bíblicas como juízo de Deus em razão de sua rebeldia e apostasia. Eles tinham a percepção exata de que eram forasteiros em terra estranha. É tanto que o Salmo 137 retrata em cores vividas o seu apego a Sião e a profunda tristeza por estarem distantes de sua terra (Jr 29.4; 1Pe 2.11),

De forma análoga, nossa condição é bastante parecida. O pecado alterou as condições de vida na terra de modo que, mesmo tendo sido alcançados pela maravilhosa e surpreendente graça de Deus em Cristo, ainda experimentamos os seus efeitos ao nosso redor; e muitas vezes o pecado ainda quer apoderar-se do nosso coração. Nesse sentido, o mundo é para nós uma espécie de exílio, onde temos de viver como peregrinos, até que sejamos chamados de volta ao lar (Jo 17.14).

2. Habitação provisória. O cativeiro babilônico não foi uma condição definitiva imposta por Deus. O próprio Daniel, ao compulsar “os livros”, compreendeu que o cativeiro duraria 70 anos, como previra Jeremias. Ou seja, era uma condição provisória, cuja duração lhe parecia chegar ao fim. Fez, por isso, uma das orações mais pungentes registradas na Escritura (Dn 9.2; Jr 25.8-11).

Igualmente, vivemos também como cristãos uma provisoriedade parecida. Como registrou de forma magistral o autor de Hebreus, “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir” (Hb 13.14), É bem verdade que não sabemos o dia e a hora em que o nosso Senhor há de voltar (Mt 25.13) ou mesmo se iremos ao seu encontro através da morte, mas o fato é que vivemos numa habitação provisória, que um dia se desfará para recebermos de Deus a nossa morada definitiva nos céus (2Co 5.1; Fp 3.20).

3. Tendência à passividade. Assim como temos hoje os “profetas triunfalistas”, que não enxergam a vida cristã em sua totalidade e, por isso, prometem o que não podem entregar, havia também alguns deles em Israel, entre os quais Hananias (Jr 28.1- 3, 10, 11). Este ofereceu ao povo a falsa esperança de um breve retorno em apenas dois anos, quando na verdade o tempo de exílio determinado por Deus, através do profeta Jeremias, era de 70 anos. Para evitar que o povo exilado ficasse num estado de passividade, pela suposta brevidade do cativeiro, a carta de Jeremias faz uma série de recomendações e alerta também contra os falsos profetas (Jr 29.8-14),

 

II. A TENSÃO ENTRE O AGORA E O PORVIR

1. A tensão em perspectiva. Hoje, da mesma forma, experimenta-se a mesma tensão que os judeus experimentaram no exílio babilônico. Se, por um lado, a viva esperança da vinda do nosso Senhor é o nosso maior anseio, o desejo de estar com Cristo é o que sustenta a nossa caminhada; por outro lado, isso não nos pode levar a uma vida passiva, alienada, sem que nos envolvamos para tornar o lugar onde provisoriamente vivemos em condições habitáveis que nos proporcionem melhor qualidade de vida.

Na outra ponta, erramos quando o apego às coisas da terra, o desejo puro e simples de acumular riquezas, a vontade aferrada (apegada) aos bens materiais, embotam a nossa visão do porvir, a ponto de nos esquecemos de que a vida humana é provisória, passageira, efêmera, como a neblina que logo se dissipa (Tg 4.14). Parece que as coisas da Babilônia passam a encantar os nossos olhos e deixamos de nos lembrar de Sião.

2. A tensão alimentada. Essa tensão é alimentada de forma negativa por uma série de situações não bem compreendidas por aqueles que servem a Deus. A primeira delas é o triunfalismo de certas pregações que põem a conquista de riquezas como um fim em si mesmo. O foco é simplesmente ser próspero para o deleite carnal e não sob a perspectiva do Reino de Deus. A segunda, entre outras, é a indisposição de buscar ao Senhor, e assim, não intensificar a vida de comunhão mediante a qual a nossa carne é mortificada. Com isso, deixamos de pensar nas coisas que são de cima, só pensamos nas que são da terra (Cl 3.1-4).

 3. Vencendo a tensão. Para quem vive em Cristo, a tensão é distendida, ou seja, ela deixa de existir por uma simples razão: Ele é a nossa esperança encarnada e a garantia de que tanto na terra quanto no céu somos Sua propriedade, “feitura sua”.  Fomos preparados para a prática das boas obras, enquanto aqui estivermos, de tal maneira que, aqui ou lá, a nossa vida é plenamente satisfeita em Cristo (Ef 2.10; Fp 1.21-25).
Vivemos em Babilônia, no sentido figurado, com os nossos olhos fixos em Sião (1Pe 5.13). Lá é o nosso ponto de chegada. Enquanto não somos transferidos para o nosso novo e definitivo edifício, o nosso coração pulsa por viver aqui a vida do Reino.

 

III. PENSANDO NO CÉU, COM OS PÉS NA TERRA

1. Vivendo em Babilônia. A carta de Jeremias aos judeus no exílio babilônico pôs as coisas sob a perspectiva correta. Ali seria o seu lar provisório, enquanto durasse o tempo do juízo determinado por Deus. Não deveriam adotar atitude passiva, ficar de braços cruzados, nem perder o foco de seu retorno a Sião. As duas vias deveriam caminhar juntas (Jr 29.5, 6, 10, 11). Enquanto não chegasse o tempo, por outro lado, cabia-lhes constituir famílias, construir casas e cultivar a terra.

Em outras palavras, subsistir mediante todos os meios legítimos dos quais dispunham. A lição é a mesma para todos nós. Devemos viver na santa expectativa de que Cristo possa voltar hoje, enquanto, ao mesmo tempo, cuidamos de nossa subsistência pelo trabalho, cultivo, comércio e outras atividades inerentes à vida humana.

 

 2. Cultivando a paz em Babilônia. Outro ponto que chama a atenção na carta de Jeremias é quando ele recomenda não só procurar a paz da cidade, mas também a orar por ela ao Senhor (Jr 29.7). São dois verbos de ação. O primeiro implica em comprometer-se com atitudes que promovam o bem-estar do lugar em que se vive. O segundo, na compreensão de que é também dever estar diante de Deus em oração com a mesma finalidade. Os judeus exilados não podiam faltar com esses compromissos, tanto quanto nós hoje.

O mais interessante é que o profeta destaca um aspecto que pouco valorizamos, ou damos pouca importância, por achar que esse tipo de comprometimento não é nossa obrigação, e sim dos governantes. Temos a tendência de viver uma teologia particular e não pública. Ora, se a cidade desfrutar de paz que resulte em bem-estar, nós também desfrutaremos do mesmo ambiente sadio – “na sua paz vós tereis paz”. Escolas, universidades, hospitais e boas políticas públicas também nos beneficiam. Como bem afirmou Adam Clarke: “Onde quer que um homem viva e tenha seu sustento e apoio, esse é o seu país durante todo o tempo em que ali viver. Se as coisas ali vão bem, o seu interesse é promovido pela prosperidade geral e ele vive com relativa facilidade”.

 3. Mantendo as malas prontas. Por fim, a instrução de Jeremias era muito clara quanto ao retorno à sua terra. No tempo certo – nem antes nem depois – eles voltariam e poderiam outra vez alegremente tocar em suas harpas os hinos de Sião (Jr 29.10).  Em razão disso, as malas deveriam estar arrumadas para a partida, enquanto simultaneamente promoviam o bem-estar do lugar onde viviam.
Parafraseando o tema da lição, deveriam permanecer com a cabeça em Sião, enquanto estavam com os pés em seu habitat. Esse é o nosso paralelo: cabe-nos agir por todos os meios legítimos em favor do bem-estar da nossa terra – a nossa habitação provisória – sem jamais perder de vista que estamos a caminho de nossa pátria celestial, onde teremos então a nossa morada definitiva.

 

Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos? (Martin Luther King)

 

APLICAÇÃO PESSOAL

Como cidadãos do Reino de Deus e forasteiros no mundo, convém atentar com diligência para que os nossos padrões estejam além da expectativa terrena, de modo que nossas incursões em qualquer área contribuam para promover uma atmosfera de paz que produza o bem-estar social.

 

RESPONDA

1)        Cite pelo menos um dos fatores que levou o reino de Judá ao cativeiro babilônico.

2)        De forma figurada, quem é comparada como sendo a atual Babilônia?

3)        O que devemos cultivar para o nosso bom viver enquanto estivermos no mundo?

 

VOCABULÁRIO

  • Analogia: relação de semelhança entre coisas ou fatos distintos.
  • Aferrada: cravada, fincada.
  • Efêmera: passageira, transitória
  • Triunfalismo: Crença materialista de que o cristão deve ser vitorioso em tudo, conquistando muitas riquezas materiais. Geralmente considera o sofrimento e a doença como sinal de falta de fé.