segunda-feira , 10 dezembro 2018
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Lição 10 – Aprendendo com Exemplos Históricos

LIÇÃO 10 – APRENDENDO COM EXEMPLOS HISTÓRICOS

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Muitos falam de política, alguns até se arriscam a entrar na política. Outros querem distância de assuntos voltados à política. No entanto, querendo ou não, estamos diretamente ligados à política. Pois o termo política vem de “polis”-cidade, e a tudo o que a ela se refere.

Somos cidadãos políticos. Estamos inseridos numa sociedade política; comunidade, associação, agremiações, instituições etc.

A lição de hoje nos apresentará grandes exemplos de pessoas que, comprometidas com a ética e os princípios bíblicos, se tomaram homens públicos sem perder sua identidade cristã. Lembrando que em uma das lições aqui estudadas foram apresentados alguns personagens bíblicos tementes a Deus que exerceram seu mandato sem se corromper com o sistema mundano – José e Daniel, por exemplo.

 

PALAVRAS-CHAVE

Exemplo • Vocação • Legado • Influência

 

OBJETIVOS

  • Demonstrar que grandes mudanças civilizatórias no mundo ocorreram por iniciativa de cristãos.
  • Realçar que a soberania de Deus em todas as esferas implica em agir sempre para a Sua glória.
  • Enfatizar que o cristão pode ser íntegro em qualquer área, se a sua motivação for servir a Deus.

 

PARA COMEÇAR A AULA

Esta lição nos faz entender na prática o que ocorre quando homens comprometidos com Deus e com sua Palavra, ao exercerem função pública, não se deixam contaminar com as ofertas tentadoras que a todo o momento são ofertadas por aqueles que estão no poder para beneficiar-se do poder que lhes foi conferido.

Reflita sobre a conduta que o homem de Deus deve ter ao exercer vida pública. Discorra sobre o valor e caráter desse verdadeiro agente do Reino Deus.

 

RESPOSTAS DAS PERGUNTAS
1)        “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios de nossa existência do qual Cristo não clame: É meu!”.

2)        A abolição da escravatura em seu país.

3)  Um problema familiar com um filho que estava envolvido com drogas.

 

 

LEITURA COMPLEMENTAR

Abraham Kuyper foi pastor da igreja Reformada Holandesa e construiu a sua carreira acadêmica estudando na Universidade de Leiden, na qual concluiu o seu Doutorado em Teologia no ano de 1862. Mas a sua verdadeira conversão ocorreu durante o pastoreio da igreja em Beesd, onde começou a se livrar da influência dos teólogos liberais e passou a experimentar os efeitos da graça de Cristo em sua vida, tornando-se um dos baluartes contra o liberalismo na igreja. Posteriormente, com breve passagem por Utrecht, mudou-se para Amsterdam, onde assumiu o pastorado da igreja mais conhecida e transformou-se no líder da ala ortodoxa da Igreja Reformada Holandesa.

Mas houve um momento na vida de Kuyper, em 1900, que ele entendeu ter de ampliar a sua missão além do púlpito e resolveu candidatar-se ao Parlamento Holandês. Licenciou-se do pastorado, eventualmente foi eleito Primeiro-Ministro, tendo sido o grande responsável pela estruturação de leis trabalhistas mais justas, que muito contribuíram para melhorar as condições do trabalhador. É dele um pensamento marcante: “O medo da política… não é cristão e não é ético”, como citado por Franklin Ferreira em seu ensaio sobre Kuyper.

Livro: “Visão Cristã sobre Política” (COUTO, Geremias. Editora Visão Cristã, Campina Grande, PB, 2015, p. 21).

 

Estudada em 9 de dezembro de 2018.

 

LIÇÃO 10 – APRENDENDO COM EXEMPLOS HISTÓRICOS

 

TEXTO ÁUREO

Pela benção que os retos suscitam, a cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derribada.”  Pv 10.11

 

VERDADE PRÁTICA

As marcas que deixamos ao longo da vida, não importa a área, falam mais alto a nosso respeito do que qualquer palavra.

 

DEVOCIONAL DIÁRIO

Segunda – Jr 1.4-19 Jeremias, exemplo de submissão

Terça – Gn 50.1-26 José, exemplo de perseverança

Quarta – 1Sm 18.1-30 Davi, exemplo de estadista

Quinta – Dn 1.1-21 Daniel, exemplo de firmeza

Sexta – At 13.1-12 Sérgio Paulo, exemplo de conversão

Sábado – Fp 4.21-23 Cristãos no Palácio: exemplo de fidelidade

 

LEITURA BÍBLICA

Provérbios 10.6-11

6          A justiça dos retos os livrará, mas na sua maldade os pérfidos serão apanhados.

7          Morrendo o homem perverso, morre a sua esperança, e a expectação da iniquidade se desvanece.

8          O justo é libertado da angústia, e o perverso a recebe em seu lugar.

9          O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento.

10       No bem-estar dos justos exulta a cidade, e, perecendo os perversos, há júbilo.

11       Pela bênção que os retos suscitam, a cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derribada.

 

Hinos da Harpa: 108 -126

 

APRENDENDO COM EXEMPLOS HISTÓRICOS

 

ORGANIZAÇÃO DESTA LIÇÃO NA REVISTA:

INTRODUÇÃO

I. ABRAHAM KUYPER E O DEUS SOBERANO

  1. Sua vida
  2. Sua influência
  3. Sua teologia


II. WILLIAM WILBERFORCE E A ESCRAVATURA

  1. Sua vida
  2. Seu chamado
  3. Sua luta 

III. GEREMIAS FONTES E A SIMPLICIDADE

  1. Sua vida
  2. Sua obra
  3. Sua vocação


APLICAÇÃO PESSOAL

 

 

INTRODUÇÃO

Já tivemos, em lições anteriores, o exemplo de dois personagens bíblicos: José e Daniel, além de algumas referências a outras circunstâncias que ilustram como deve ser o comportamento do crente na vida, em geral, e no exercício de funções públicas, em particular. Hoje apresentaremos três personagens históricos, os quais já se encontram com Cristo: Abraham Kuyper, holandês; William Wilberforce, inglês, e Geremias de Matos Fontes, brasileiro. Ao final você poderá adicionar outros nomes a esta lista.

I. ABRAHAM KUYPER E O DEUS SOBERANO

1. Sua vida. Para falar dos personagens em tela, convém ressaltar, inicialmente, as qualificações ministeriais que o apóstolo Paulo preconiza em sua recomendação expressa ao seu companheiro Tito:

a) padrão de boas obras;

b) integridade;

c) reverência;

d) linguagem sadia, e

e) vida irrepreensível.

Entre tantos outros, eles preencheram em vida os critérios acima e deixaram, por isso, uma boa marca na sua história pessoal e na de seus países (ver Tt 2.7,8}.

Abraham Kuyper, por exemplo, tornou-se um dos expoentes da teologia cristã e muito contribuiu para elaborar e executar uma legislação justa de inclusão social na Holanda. Nasceu em 29 de outubro de 1837 e faleceu em 8 de novembro de 1920. Teve excelente formação.

 

2. Sua influência. Ao sentir o chamado para atuar na vida pública, Abraham Kuyper licenciou-se do pastorado e foi eleito para o parlamento holandês em 1877, chegando 23 anos depois, em 1901, ao cargo de Primeiro-Ministro, onde permaneceu até 1908. Segundo informa Franklin Ferreira, ele esteve na linha de frente em favor da extensão do voto às mulheres, lutou para que o estado reconhecesse o direito de os cristãos administrarem as suas próprias escolas e por uma legislação que protegesse os direitos do trabalhador, algo impensável na época.

Abraham Kuyper deixou um excelente rastro por onde passou. Foi Ministro de Estado em Haia e ministrou uma série de palestras no Seminário Teológico de Princeton, EUA. Por ocasião de seus 70 anos houve uma celebração nacional, quando se reconheceram as suas pegadas em quase todas as áreas da vida do país durante 40 anos, desde a Igreja, passando pelo Estado e chegando até a imprensa (Pv 10.10-11).

 

3. Sua teologia. Abraham Kuyper, por ter estudado inicialmente em faculdade teológica de tendência liberal, esposou por algum tempo posições teológicas liberais. No entanto, durante o seu primeiro pastorado, experimentou profunda experiência com Cristo e passou a esposar os fundamentos da ortodoxia cristã.

Tornou-se referência para a teologia em todo o mundo. Tanto quanto os teólogos ortodoxos, ele cria na soberania de Deus e explicitou a sua abrangência em todas as esferas: igreja, família, indivíduo, política, economia, educação, artes, imprensa, de tal modo que o cristão não pode criar uma visão dicotômica: vida cristã & vida secular. Embora Kuyper entendesse que cada esfera é distinta da outra, atuando em faixa própria, em seu conceito a vida cristã é uma só em qualquer dimensão.

Essa é uma de suas mais célebres frases: “Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!’”. Ela foi pronunciada em sua mensagem na cerimônia inaugural da Universidade Livre de Amsterdam, na Holanda, por ele fundada, onde, baseado em Isaías 48.11, argumentou também que, ao nos retirarmos dos espaços públicos, permitimos que “Satanás proclame suas filosofias abertamente, sem contestação”, agindo contra o que Deus de forma expressa declara: ‘A minha glória, não a dou a outrem”.

II. WILLIAM WILBEFORCE E A ESCRAVATURA

1. Sua vida. William Wilberforce é outro nome que não pode fugir à nossa consideração sobre o caráter do cristão na vida pública. Nascido numa família aristocrática, na cidade portuária de Hull, Yorkshire, Inglaterra, em 24 de agosto de 1759, morreu em 29 de julho de 1833. Ele foi o grande responsável pela abolição da escravatura em seu país, lutando com todas as suas forças para implementá-la, em seu papel de legislador.

Wilberforce decidiu-se pela política aos 21 anos, para representar o seu povoado no parlamento regional. Embora tivesse formação religiosa cristã, a sua prática era formal e sem nenhum comprometimento. Mas a sua capacidade como tribuno o levou a ganhar a eleição como representante de Yorkshire na Câmara dos Comuns – o Parlamento Britânico em Londres, aonde chegou aos 24 anos já com bastante popularidade.

 

2. Seu chamado. No entanto, a história de Wilberforce começa a mudar numa viagem de navio a Nice, França, juntamente com sua mãe, irmã e um antigo professor. A leitura de um livro trazido na bagagem de seu amigo, já convertido, juntamente com a Escritura, despertou o coração do jovem para a grandeza de sua pecaminosidade e a compreensão para as riquezas da misericórdia de Deus em Cristo Jesus.

Plantada em seu coração por George Whitefield e John Newton, por quem nutria grande admiração, a semente agora brotava com todo vigor, a ponto de Wilberforce vir a considerar a hipótese de exercer o ministério pastoral.

Quem o dissuadiu foi John Newton, autor do clássico Maravilhosa Graça, que, antes de sua conversão a Cristo, tinha sido um traficante de escravos e agora lutava pelo fim da escravidão. Ele entendeu que Wilberforce seria muito mais útil à causa no lugar em que estava – o Parlamento Britânico. O que este acabou por reconhecer, após refletir e orar, conforme registrou em seu diário.

 

3. Sua luta. Não foi uma batalha fácil. Encontrou pela frente muita oposição por tratar-se de uma prática intrínseca da vida comercial britânica e um instrumento vital para a economia. Lutar contra ela feria interesses não só da aristocracia (classe privilegiada que detém o poder), mas até de membros da corte e da família real. Para que se tenha uma ideia, os navios ingleses transportavam mais da metade dos escravos traficados a partir da África Ocidental.

Em resumo, a luta de Wilberforce começou em 1787 e só foi terminar quatro dias antes de sua morte, em julho de 1833. Em 25 de março de 1807, foi aprovado, pelo Parlamento Britânico, o Slave Trade Act ou Ato contra o Comércio de Escravos, que proibia o comércio de escravos em todo o Império Britânico. Nessa ocasião, todos se puseram de pé e por vários minutos aplaudiram Wilberforce, enquanto ele, já desgastado pelo tempo, chorava copiosamente com o rosto entre as mãos.

Mas foi só em 25 de julho de 1833 que a lei da emancipação foi aprovada, com todos os escravos libertos nos territórios britânicos. A Inglaterra tornou-se a “Guardiã dos Mares” e o esforço de Wilberforce, com isso, contribuiu também para a abolição da escravatura no Brasil, por ter dificultado a navegação dos navios negreiros.


III. GEREMIAS FONTES E A SIMPLICIDADE

1. Sua vida. Nosso último personagem é Geremias de Mattos Fontes. Nascido em São Gonçalo, RJ, no dia 28 de junho de 1930, faleceu com 79 anos, em dois de março de 2010. Sua história de vida não foi em berço aristocrático. Construiu sua carreira profissional como qualquer outro brasileiro de família simples, formando-se como advogado pela Faculdade de Direito de Niterói, RJ. Na área política, começou como secretário do município onde nasceu, foi depois eleito prefeito, deputado federal e, em plena efervescência do regime militar, tornou-se governador do antigo Estado do Rio de Janeiro. Era de origem presbiteriana e comprometido com a fé cristã.

 

2. Sua obra. Geremias Fontes, como governador, reunia-se regularmente com uma equipe de pastores em seu gabinete para orar e meditar na Palavra de Deus. Manteve esse hábito até o último dia de seu governo. Deu especial atenção à saúde, com a criação de um fundo estadual para a restauração e construção de centros de atendimento médico, criou a Companhia de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, fez o levantamento socioeconômico e agropecuário em todo o Estado, interligou a rede básica de energia, construiu cerca de quatro mil salas de aula e implantou programas voltados para a profissionalização.

 

3. Sua vocação. Ao final do mandato, afastou-se da política por duas causas principais: a sua vocação ministerial e um problema familiar: tinha um filho envolvido com drogas, que necessitava de toda a sua assistência. Este também falou ao pai que outros colegas estavam na mesma situação. Com isso, a garagem de sua casa tornou-se um centro de acolhimento aos dependentes químicos.

À medida que o ministério cresceu, foi então criada a Comunidade S8, que se tornou referência na recuperação de viciados em drogas no Estado. Nesse período, até sua morte, foi também pastor da Igreja Batista do Calvário, em Niterói, RJ, sempre com uma vida de integridade.

 

APLICAÇÃO PESSOAL

Como se vê, em meio ao sistema pecaminoso que impera no mundo, um cristão pode, na vida pública, ser modelo de boas obras, íntegro, reverente, saudável e irrepreensível, como recomendou Paulo. Basta estar comprometido com a sua fé e dela não abrir mão em qualquer circunstância.

 

RESPONDA

1)        Segundo o comentário, cite uma das frases mais célebres de Abraham Kuyper.

2)        Qual foi o maior desafio de William Wilberforce no Parlamento Britânico?

3)        A marca de servo do Senhor Jesus Cristo e com Ele comprometido.