quarta-feira , 21 novembro 2018
Mais Recentes
Home / Lição 1 – A Arte de Governar no Antigo Testamento

Lição 1 – A Arte de Governar no Antigo Testamento

UM BRASIL MELHOR

Bem-vindo a esta série de estudos da Bíblia, que nos ensina sobre nossa Cidadania e Responsabilidade Social.

Como cidadãos do Reino de Deus, temos de manter a mente no Céu, mas, ao mesmo tempo, como cidadãos Brasileiros, devemos manter os pés firmes neste chão, fazendo a diferença, trabalhando e orando por um Brasil melhor.

Cidadania é o conhecimento e exercício dos direitos e deveres plenos por parte de cada cidadão.

É fator indispensável na construção de uma sociedade mais justa, digna e segura.

Podemos, sim, atuar na linha de frente da cidadania e da responsabilidade social, sem abrirmos mão de viver do modo digno do Evangelho de Cristo, que aliás, nos insta a influenciar a nação onde vivemos, como sal da terra e luz do mundo.

Lição 1 – A Arte de Governar no Antigo Testamento

LEITURA COMPLEMENTAR

Assim como defendido por Charles Colson e Nancy Pearcey em sua obra: “E agora, como viveremos?”, a primeira grande comissão dada por Deus ao homem foi a de governar e fazer cultura. A de governo aparece no primeiro capítulo de Gênesis, onde a expressão “sujeitai-a” (v. 28), referindo-se à Terra, não quer dizer outra coisa senão administrá-la, governá-la, tornar-se responsável por cuidar do lugar que seria a sua habitação. Uma espécie de mordomo sobre a terra criada. A que se refere à cultura aparece no capítulo dois (vv. 19, 20), quando Deus transfere a Adão a responsabilidade de dar nomes a todos os animais, tarefa que envolvia inteligência, capacidade e domínio de conhecimento.

Diferente do que pretendem os dispensacionalistas, com a hipótese da Dispensação do Governo Humano, após a suposta Dispensação da Consciência, desde o princípio Deus já estabelecera que o homem governasse. Está implícito no próprio ato da Criação. Deus delegou ao homem essa responsabilidade. Se por um momento tirarmos os olhos dos efeitos devastadores da Queda, para não corrermos o risco de compartimentar o nosso entendimento sobre o plano eterno de Deus, teremos de convir que não faria sentido algum a Terra sem qualquer governo, mesmo no estágio anterior à entrada do pecado no mundo.

Livro: “Visão Cristã sobre Política” (COUTO, Geremias. Editora Visão Cristã, Campina Grande, PB, 2015, p. 26).

LIÇÃO 1 – A ARTE DE GOVERNAR NO ANTIGO TESTAMENTO

TEXTO ÁUREO

“Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” Gn 1.28

 

VERDADE PRÁTICA

A ideia de governo não é mera sugestão humana, mas aparece como mandado de Deus na Criação.

 

DEVOCIONAL DIÁRIO

Segunda Gn 41.37-44 Um governante dado por Deus

Terça Êx 3.1-22 Deus levanta um libertador

Quarta Js 1.1-9 Um líder comprometido

Quinta At 13.22 Um rei segundo o coração de Deus

Sexta Dn 2.46-49 Daniel na corte da Babilônia

Sábado Is 9.6  O governante perfeito

 

LEITURA BÍBLICA

Gênesis 1.26-28

26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

28  E Deus os abençoou e lhes disse; Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

 

Hinos da Harpa: 633 e 638

 

A ARTE DE GOVERNAR NO ANTIGO TESTAMENTO

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Embora sejamos cidadãos dos céus, não podemos deixar de cumprir nosso papel de cidadãos na terra. E foi pensando sobre essa premissa que aprouve a Deus conceder-nos o privilégio de estudarmos sobre cidadania e responsabilidade social da Igreja.

Iniciamos destacando a arte de governar como sendo um princípio bíblico. Nesta lição, em especial, procure identificar os pontos significativos de cada um dos princípios tratados, objetivando uma reflexão sobre a importância de aplicarmos em nossa vida tais princípios.

Enfatize os aspectos principais do plano criativo de Deus que estabelece o propósito da criação do homem no mundo e como este deve administrá-lo.

 

PALAVRAS-CHAVE

Governo • Domínio • Mordomia

 

OBJETIVOS

  • Mostrar que a arte de governar está implícita no mandado de Deus a Adão.
  • Ressaltar a condição original do homem como governante perfeito.
  • Compreender como exercer o nosso papel para que tenhamos paz e prosperidade.

 

PARA COMEÇAR A AULA

Por ser esta a primeira sobre Cidadania e Responsabilidade Social da Igreja, que trata acerca de Liderança, pergunte aos alunos o que eles têm a comentar sobre a atual liderança do nosso país. É uma boa oportunidade de observar neles o quanto estão familiarizados ou não com o que está acontecendo em termos de política, economia, saúde e educação.

Após isso, faça uma breve explanação sobre a atual conjuntura do país a partir do que você leu nos jornais, revistas e nos noticiários, mantendo-os atualizados.

 

RESPOSTAS DAS PERGUNTAS

1)         A marca pessoal de Deus e Suas qualidades divinas.

2)         Domínio, sujeição, trabalho e cultura.

3)         Não, este permanece necessário à ordem social.

 

A ARTE DE GOVERNAR NO ANTIGO TESTAMENTO

 

ORGANIZAÇÃO DESTA LIÇÃO NA REVISTA

INTRODUÇÃO

I. O HOMEM É CRIAÇÃO DE DEUS

  1. Feito à imagem de Deus Gn 1.26,27
  2. Feito à semelhança de Deus Gn 1.262.7
  3. Coroa da Criação sl 8.4-6


II. 
O HOMEM COMO GESTOR DA TERRA

  1. Domínio Gn 1.28
  2. Trabalho Gn 2.15
  3. Capacidade Gn 2.19,20

III. GOVERNAR É UM PRINCÍPIO DIVINO

  1. Governo entre os povos Gn 9.1-17
  2. Governo em Israel Êx 3.1-21
  3. Governo eterno Mq 5.2

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

INTRODUÇÃO

As implicações da cidadania começam quando temos clareza do papel do governo na sociedade. Como cristãos, todavia, temos de ir um pouco mais além e buscar descobrir como a Bíblia trata do tema e de que forma lidamos com a questão no mundo contemporâneo, afetado pelos efeitos da Queda.

Voltar ao começo, quando Deus criou todas as coisas, é o melhor caminho para que entendamos a arte de governar como um princípio bíblico e possamos então estabelecer parâmetros para a vida cidadã atual.

 

I. O HOMEM É CRIAÇÃO DE DEUS

Entre todos os atos criativos de Deus, no princípio da raça humana, a constituição do homem revestiu-se de singularidade. Em todos os demais casos. Deus simplesmente ordenou que estes viessem à existência pelo poder de Sua palavra. Mas não foi assim em relação ao primeiro casal.

O texto deixa explícito que a Trindade quis que o homem fosse criado à Sua imagem e semelhança, numa ação diferente das demais, de modo que ele se tornasse a coroa da criação, com atributos singulares comunicados pelo próprio Deus (Gn 1.26).

1. Feito à imagem de Deus. Essa característica ímpar implica em que o homem carregaria em si a marca pessoal do próprio Deus como um ser consciente, racional, capaz de assumir responsabilidades de forma pensada e não instintiva, como é o caso dos animais irracionais, mediante os atributos comunicáveis de Deus, como: conhecimento, sabedoria, veracidade, fidelidade, bondade, amor, longanimidade, misericórdia, graça, santidade, justiça e governo.

Mesmo depois dos efeitos do pecado e da depravação que causou, permaneceram vestígios da Imago Dei (imagem de Deus) no homem, de tal maneira que, pela providência divina, ele ainda pratica atos próprios dos atributos que lhe são inerentes, embora agora lute contra a natureza pecaminosa que o instiga à prática do mal. É a luta que o apóstolo Paulo descreveu no Capítulo 7 de Romanos, entre o mal e o bem, travada no coração humano.

2. Feito à semelhança de Deus. Outra característica única é a semelhança. É óbvio que a ideia, aqui, não é aquela que a antiga serpente tentou incutir no coração de Eva, de que seriam iguais a Deus. O texto, ao contrário, demonstra que eles teriam qualidades que não seriam estendidas a nenhum outro ser criado na terra. Ambas as expressões imagem e semelhança não quer dizer que somos pequenos deuses, mas que temos características peculiares que só são encontradas nos seres humanos. Nenhuma outra criatura dispõe de tais peculiaridades, como estrutura física, emocional e espiritual, além de graça, harmonia e beleza.

3. Coroa da Criação. O salmista, para realçar este aspecto, faz uso do paralelismo poético antitético (usando ideias contrastantes), onde primeiro afirma em contraste a nossa pequenez diante da infinitude de Deus, como quem não é digno de ser lembrado e sequer visitado. Mas logo depois, no contraponto, destaca a grandeza de Sua criação, como alguém vestido de honra e de glória, ficando também explícito o domínio que lhe foi dado no ato da criação e que se constitui no âmago do tema ora em estudo o governo sobre a terra (SI 8.4-6).

 

II. O HOMEM COMO GESTOR DA TERRA

O ato seguinte à criação do homem foi dar a ele a responsabilidade de administrar a terra. Como igreja, conhecemos muito bem o que chamamos de “Grande Comissão”, isto é, a nossa responsabilidade de proclamar o Evangelho ao mundo, tarefa que continua sendo a nossa prioridade (Mt 28.18-20). Mas pela própria natureza da Igreja, muitas vezes nos esquecemos do outro mandato, que foi dado ao homem de maneira geral a mordomia como transparece na passagem em estudo, onde se destacam as seguintes palavras-chave: domínio, trabalho e capacidade.

1. Domínio. O vocábulo aparece de imediato no v. 26; e significa, basicamente, que Adão foi criado capaz de governar o mundo; e logo que veio à existência, recebeu de Deus essa tarefa. Ele faria o trabalho de um verdadeiro mordomo, ou seja, se ocuparia em zelar, cuidar, gerir, comandar e exercer supervisão sobre a terra, que em sua plenitude pertence a Deus (Sl 24.1).

O interessante é que de antemão Deus em seu cuidado amorável preparou a terra para “a sua subsistência, conveniência e prazer”, para, só então, criar o homem e designá-lo como o seu administrador.

No v. 28, o conceito é reforçado, quando Deus lhe dá poder para propagar a sua semente e aduz (declara), mais uma vez, a sua responsabilidade de sujeitar a terra, que significa submetê-la ao seu domínio e obediência. Adão recebeu todo o potencial mental e físico necessário para levar a cabo todas as suas responsabilidades como um bom gestor, tendo como outorgador e docente o próprio Deus.

Cabia a Adão, porém, como gestor e mordomo, usar o potencial dado por Deus para tomar boas decisões e reger a Terra em obediência à determinação divina. Portanto, a arte de governar é um princípio bíblico dado tão logo o homem foi criado.

2. Trabalho. Outro ponto a destacar é que administrar implicava também em trabalho. Muitas pessoas, de forma equivocada, confundem-no como castigo resultante da Queda. No entanto, o juízo veio na forma do suor, cansaço, sofrimento e não do trabalho em si (Gn 3.19). Ao colocá-lo no jardim do Éden, uma de suas tarefas era cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2.15). Em seu estado perfeito, o trabalho contribuía para a sua felicidade. Era seu dever cuidar dos diferentes tipos de plantação em sua perfeição e beleza, além de manter-se ativo, pois tanto o seu corpo como a sua mente foram constituídos para isso.

3. Capacidade. O governo do homem como preposto de Deus não se restringia só ao domínio e trabalho. 0 “mandato cultural” estava também implícito. Logo que a criação se completa, Deus lhe determina que dê nomes aos animais e aves dos céus (Gn 2.19-20). Pela quantidade de espécies, podemos presumir o nível de inteligência, criatividade e capacidade de Adão. Era um homem culto em sua mente perfeita. Certamente ele levou em conta a natureza e as propriedades de cada criatura ao dar a cada uma delas o nome apropriado.

Sem entrar no mérito dos eternos decretos de Deus, o governo de Adão e seus descendentes, não houvesse a Queda, seria marcado por sabedoria infinita, excelência, grandeza e perfeição em condições que não teríamos hoje como descrever. De qualquer modo, fica patente que, desde o início, governar a terra é parte intrínseca da responsabilidade do homem. Aqui chegamos ao nosso último ponto.

 

III. GOVERNAR É UM PRINCÍPIO DIVINO

Embora os efeitos da Queda tenham produzido estragos em todas as áreas, inclusive na governança, graças à depravação total provocada pelo pecado, o princípio não se tornou inválido. Em sua soberania, Deus estabeleceu de antemão o modo como o mundo seria administrado de tal maneira que ainda hoje até por causa do pecado é preciso que haja um mínimo de ordem para que as relações sociais sejam minimamente decentes.

1. Governo entre os povos. Ao olharmos a própria história bíblica, percebemos que logo os povos antigos começaram a constituir os seus sistemas de governo. Eles tinham os seus códigos, princípios e normas que estabeleciam os balizamentos civis e sociais, embora, por óbvio, fossem apenas uma ideia empalidecida obscura mesmo da condição perfeita da terra original. Mas certamente eram fruto do que foi transferido de forma oral, gerações após gerações, até a descoberta da escrita, que passou a ser usada para registrar os sistemas legais.

Por outro lado, Deus usou as mais diferentes circunstâncias para que o Seu eterno propósito fosse executado através dos tempos. Até mesmo governos ímpios foram Seus instrumentos para a preservação de Seu plano, como no caso do Egito, Assíria e Babilônia. Ou seja, o governo, agora contaminado pelo pecado, permanecia na mão do homem, a quem Deus usa soberanamente através dos tempos para a preservação da vida na terra.

2. Governo em Israel. Merece especial atenção o povo de Israel. Através de Abraão (Gn 12.1-3), Deus constituiu uma semente, já prometida logo após a Queda, mediante a qual seria construída a história da salvação até a vinda do Messias (Gn 3.15).

Sem entrar em maiores detalhes, desde quando deixou o Egito, após 400 anos de escravidão, a governança é estabelecida através de Moisés por 40 anos (Êx 3.121); e a seguir, por Josué, até que na Terra Prometida vive-se o momento dos juízes e, posteriormente, da monarquia. Mesmo no Egito, um conselho de anciãos respondia pelo povo (Êx 3.16-18).

3. Governo eterno. O fato a realçar, aqui, para finalizar, é que o governo humano jamais foi abolido no mundo e em Israel, mesmo nos tempos em que a nação esteve sob o domínio de diferentes impérios, que nomeavam os governantes da região, além da representação político-religiosa do Sinédrio.

Mas, ao final da História, o próprio Senhor virá e estabelecerá o Seu governo para sempre, como profetizado por Miqueias (Mq 5.2],

 

APLICAÇÃO PESSOAL

É nosso dever não só orar pelas autoridades, mas fazer o que nos compete para que tenhamos homens públicos justos e tementes a Deus, que olhem a causa do povo, além de pessoas preparadas nas mais diferentes funções para que, pela providência divina, possamos experimentar paz e prosperidade.

 

RESPONDA

  • O que significam as expressões imagem e semelhança de Deus?
  • Quais são as palavras-chave que definem o mandado da governança dado a Adão?
  • A queda do homem invalidou o princípio de governo estabelecido por Deus?

 

VOCABULÁRIO

  • Antitético: em direção contrária, no sentido oposto.
  • Aduz: apresenta, expõe, declara.
  • Balizamento: ato ou efeito de balizar, demarcar, definir limites.
  • Mandato: procuração, poder político outorgado pelo povo a uma pessoa, delegação.
    Ex.: O presidente não chegou a cumprir seu segundo mandato.
  • Mandado: ato de mandar, ordem emanada de autoridade superior, incumbência.