quarta-feira , 21 novembro 2018
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Carta aos Romanos – Lição 03 – Fé Versus Obras

FÉ VERSUS OBRAS

LEITURA COMPLEMENTAR

Paulo ensina que Deus, por sua bendita graça, pode declarar-nos justos. Quando um magistrado em um tribunal declara o réu inocente, todas as acusações naquele processo são retiradas contra ele. Para a lei, é como se a pessoa nunca tivesse sido alvo daquela acusação. Quando Deus perdoa nossos pecados, nossa vida fica completamente limpa. Do ponto de vista de Deus, é como se nunca tivéssemos pecado.
Cristo libertou os pecadores da escravidão do pecado. No tempo do Antigo Testamento, as dívidas de uma pessoa podiam levá-la a ser vendida como escrava, mas o parente próximo podia redimi-la comprando a liberdade dela. Foi assim que Cristo fez conosco. 0 preço pago foi sua própria vida.
Cristo foi à cruz em nosso lugar, para nos resgatar da escravidão do pecado. Deus tem razão plena de irar-se com os pecadores, porque se rebelaram contra Ele e se afastaram da influência do seu poder de conceder vida. Entretanto, a morte vicária de Cristo foi o preço pago e designado pelo próprio Deus para que nossos pecados fossem perdoados.
Deste modo. Cristo se colocou em nosso lugar, pagou o preço com sua morte por nossos pecados e preencheu completamente as exigências de Deus. 0 sacrifício de Jesus quebrou a maldição que pairava sobre nós, trouxe o perdão, a redenção e a liberdade da escravidão do pecado.
O que aconteceu com as pessoas que viveram antes de Cristo? Deus os condenou injustamente? Se os justos se salvaram, o sacrifício de Cristo teria sido em vão? Paulo mostrou que Deus perdoou todos os pecados da humanidade por meio do sacrifício vicário de Jesus.
Os fiéis que viveram na época do Antigo Testamento e aguardaram com fé a vinda de Cristo foram salvos, embora não conhecessem Jesus na sua inteireza. Nós, os crentes do Novo Testamento, sabemos que Jesus é o enviado de Deus para a salvação daquele que nEle crê.
Livro: “Estudo introdutório à Carta aos Romanos”
(Oton Miranda Alencar. Editora INOVE – Brasília, 2011.

 

LIÇÃO 3  FÉ VERSUS OBRAS

TEXTO ÁUREO
“Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.” Rm 3.24

VERDADE PRÁTICA
0 que nos justifica diante de Deus é a fé em Cristo Jesus.

DEVOCIONAL DIÁRIO

Segunda – Rm 3.22
Justificação disponível a todos
Terça – Rm 3.23
Os judeus também pecaram
Quarta – Rm 3.27
Sem jactância
Quinta – Rm 3.29
Deus dos gentios também
Sexta – Rm 4.3
Abraão justificado pela fé
Sábado – Rm 4.8
Feliz o homem justificado pela fé

LEITURA BÍBLICA

Romanos 3.22-26
22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção,
23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os peca-dos anteriormente cometidos;
26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Hinos da Harpa: 39 -116

 

FÉ VERSUS OBRAS

INTRODUÇÃO

I. A JUSTIÇA DOS JUDEUS
1. O juízo imparcial de Deus Rm2.l-29
2. Todos são pecadores Rm 3.1-18
3. Os judeus não são exceção Rm3.l9

II. O PERDÃO DOS PECADOS
1. A justificação pela fé Rm 3.21-31
2. A propiciação Rm 3.23-28
3. Deus de todos Rm 3.29-31

III. ABRAÃO, O PAI DA FÉ
1. Abraão, justificado pela fé Rm 4.1
2. Fé imputada como justiça Rm4.4
3. Pecados não imputados Rm 4.8-25

APLICAÇÃO PESSOAL

 

INTRODUÇÃO

Na Palestina do primeiro século havia a discussão da preemi- nência da nação judaica sobre as gentias. Este era um assunto considerado realmente importante naquele período. Paulo argumentou que, em matéria de pecado contra Deus, Israel é tão pecadora quanto as demais nações.

 

I. A JUSTIÇA DOS JUDEUS

1.0 juízo imparcial de Deus.
Paulo dirigiu a Israel a interpelação contida nos versículos 1 ao 29 do capítulo 2. Isso porque ele pôs à mostra, nestes versículos, uma estranha fraqueza humana: a tendência que temos de criticar todo mundo, menos a nós mesmos. Nós somos rigorosos em julgar os outros e condescendentes em julgar a nós mesmos.
Paulo fez duas afirmações: Ninguém se livra do juízo de Deus acusando alguém e praticando as mesmas coisas, e o homem deve julgar a si mesmo e não os outros (Rm 2.3,4).
Sempre vemos pessoas querendo escapar do juízo de Deus, usando como escudo um argumento teológico. Apelam para as duas características de Sua bon-dade: tolerância e paciência. Alegam que Deus é bom e demasiadamente longânimo para castigar quem quer que seja. Esquecem-se de que é a bondade de Deus que
nos leva ao arrependimento, a fim de nos livrar da própria condenação divina.
Paulo respondeu às objeções dos judeus, os quais ficaram irritados com ele por causa de seu ensino de que a justificação da religião judaica de nada valia para a salvação.

2. Todos são pecadores. A passagem de Romanos 3.1-18 nos assegura que nada, nem mesmo o nosso pecado ou rebeldia, pode anular as promessas feitas por Deus a nós (Rm 3.3). Contudo, a segurança advinda do versículo 3 é quebrada na sequência do texto, quando Paulo afirmou que todos somos pecadores e ninguém podería fugir deste estado: “não há nenhum justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Desta maneira, todo o nosso esforço pró-prio só nos distanciará cada vez mais de Deus.

3. Os judeus não são exceção. Em Romanos 3.19,20 Paulo afirmou que os judeus seriam condenados de forma maciça, porque as Escrituras declaravam isso. Eles deveríam, acima de tudo, dar atenção ao que Paulo apresentou como a intenção geral das Escrituras: tornar todos os homens indesculpáveis sob o julgamento divino. Assim, nenhum ser humano pode ser justificado aos olhos de Deus “por obras da lei”, inclusive e especialmente o judeu jactancioso.
Assim como o Evangelho se diferencia das demais religiões mundanas por sua origem, há também um grande contraste em sua mensagem.”
Os judeus ignoravam que a lei não bastava para preservá-los do pecado. A lei conferia-lhes apenas o conhecimento do pecado. Com efeito, ela não permitia dissipar o mal que denuncia. A própria obediência à lei manifestava a natureza do pecador, alimentando-lhe o orgulho.

 

II. O PERDÃO DOS PECADOS

1. A justificação pela fé. O termo justificação na teologia paulina é o ato de Deus justificar o transgressor. Não se refere só ao perdão, mas ao ato de se declarar justo o homem que deveria ser punido. Desta maneira, Deus declara que o mais vil e impuro pecador, ao se arrepender, passa a ser considerado por Deus como santo, justo e puro. Deus justifica o pecador que crê e aceita o seu Filho Jesus como seu Salvador pessoal.
Nisto se resume a doutrina paulina da justificação pela fé. Antes da Reforma Protestante, com a fixação das 95 teses de Lutero na catedral de Wittenberg, na Alemanha, em 31 de Outubro de 1517, essa doutrina tinha sido abandonada, pois a Igreja Católica Romana havia saturado os seus fiéis com a ênfase na autojustificação, por intermédio das boas obras e indulgências (Rm 3.21-31).

2. A propiciação. A ação de Deus em favor do homem não objetivava recompensar a obediência à lei, pois todos já sabemos que o homem não é natural-mente obediente. Por isso, Deus concedeu-lhe um favor não merecido. O homem espiritual sabe que não possui mérito algum e espera apenas a misericórdia divina.
Todos necessitam da fé – tanto judeus quanto gentios – e precisam também da glória de Deus, ou seja, da manifestação do Deus transcendente.
A expressão “destituídos da glória de Deus” significa ser privado da presença e da comunhão com Deus. A teologia dos rabinos judeus admitia que o primeiro homem participava da “glória divina”, dádiva que perdeu após a desobediência no Éden; porém, deveria ser devolvida aos homens quando da salvação final. A ideia de que o homem perdeu a condição de ser a imagem de Deus é, por outro lado, estranha aos judeus (Rm 3.23-28).
A imputação da justiça de Deus à humanidade caída pode ser entendida como a regeneração do relacionamento correto entre Deus e o homem.”

3. Deus de todos. Deus é o Deus de toda humanidade, daí a necessidade de se pregar o Evangelho a toda criatura. Por isso também a possibilidade de haver verdadeira unidade do povo de Deus. Os judeus que se vangloriavam do conhecimento de Deus se esqueceram de que o receberam graciosamente. Por isso, outros além deles têm o mesmo direito.
Aconteceram alguns mal-entendidos entre os cristãos judeus e os cristãos gentios em Roma. Os cristãos judeus interrogavam a Paulo sobre se a fé seria contrária a tudo aquilo que o judaísmo pregava. Isso anularia as Escrituras e os seus costumes, mostrando que Deus não agiria mais por intermédio dos judeus? Paulo respondeu negativamente.
Na verdade, quando entendemos o caminho da salvação pela fé em Cristo, entendemos melhor a religião judaica. Sabemos o porquê de Abraão ter sido escolhido, a lei concedida e por
que Deus agiu pacientemente com Israel durante séculos. A fé, portanto, não anula o Antigo Testamento. Apenas o torna mais compreensível [Rm 3.29-31).

 

III. ABRAÃO, O PAI DA FÉ

1. Abraão, justificado pela fé. Os judeus sentiam orgulho de ser chamados filhos de Abraão. Assim, Paulo usou Abraão como um bom exemplo de alguém que foi justificado pela fé, não pelas obras (Rm 4.1-3).
Paulo toma o exemplo de Abraão como prova dessa verdade, mostrando a justificação pela fé na Nova Aliança como sendo um desdobramento do mesmo ensino na Antiga Aliança. Onde, neste debate, se posiciona Abraão? Ele foi justificado por fé ou pelas obras da lei? A base do argumento paulino é Gênesis 15.6: “Ele creu no Senhor e isso lhe foi imputado para justiça”.

2. Fé imputada como justiça. O que significa a expressão “imputar como justiça”? É creditar ou lançar a justiça na conta de uma pessoa. Portanto, Deus credita sua justiça na conta do pecador. Desta forma, o pecador, por sua fé, passa a ser aceito pelo Senhor como todos aqueles que serão perdoados e salvos no dia do Juízo Final (Rm 4.4-7).
Se Abraão tivesse merecido sua justificação por sua obediência, este não teria sido um ato da graça divina. Abraão poderia tê-lo exigido, assim como todo trabalhador exigia de seu patrão receber todo centavo pelo qual trabalhou. Mas isso não pode acontecer na realidade espiritual.  É impossível ao homem exigir algo de Deus, como se o Todo- -poderoso tivesse alguma dívida com ele (cf. Rm 11.35).

3. Pecados não imputados.  Aqui o apóstolo Paulo aproveitou a oportunidade para citar o Salmo 32. 0 salmista disse que é bem-aventurado (feliz) o homem que obtém o perdão divino. 0 perdão é gratuito, dependendo apenas de o pecador buscar a Deus e crer nele.  O que podemos fazer para ser libertos da culpa? 0 salmista Davi era culpado pelos terríveis pecados de adultério e assassinato, mas, mesmo assim, experimentou a alegria do perdão (Rm 4.8-25).
Se Abraão é o pai dos judeus, segundo a carne, isso significa que a justificação pela fé abrange apenas os judeus?
0 apóstolo lembra que Abraão foi justificado pela fé quando ainda era incircunciso. Desde Gênesis 15.6, época em que ele foi justificado pela fé, até o capítulo 17.11, época em que foi circuncidado, há um período de 14 anos. Assim, Abraão foi o pai de todos os que creem, tanto dos judeus como dos gentios.
Na antiga lei, cerimônias e rituais serviam como memoriais da fé judaica, mas não se deveria pensar que davam algum mérito especial perante Deus. Eram apenas sinais exteriores que demonstravam a crença interior e a confiança dos judeus.  Assim, a promessa de Deus depende da fé, a fim de que todos nós, judeus e gentios, tomemos posse dela como um presente de Deus.

 

APLICAÇÃO PESSOAL

A justificação se cumpre pela graça de Deus, através da fé em Cristo, que é a propiciação pelos nossos pecados. Portanto, devemos abandonar toda a teologia do mérito pessoal para a salvação e nos agarrarmos inteiramente na providência divina.

RESPONDA
Identifique a resposta apropriada a cada questão e relacione-a abaixo no parêntese correspondente:

1) Por que Paulo usou Abraão em sua argumentação?

2) O que significa justificação na teologia paulina?

3) Para que serviam as cerimônias e rituais na Antiga Aliança?
( ) É o ato de justificar o transgressor. Não se trata de perdão, mas de declarar justo quem deveria ser punido.
( ) Os judeus sentiam orgulho de ser chamados filhos de Abraão. Ele foi exemplo de alguém justificado pela fé.
{ ) Serviam como memoriais da fé judaica, mas não davam nenhum mérito especial perante Deus.

VOCABULÁRIO

• Longânimo: Qualidade de quem tem longo ânimo, paciente.
• Imputar: Atribuir algo (a alguém), conferir.
• Propiciar: Tornar algo ou alguém propício ou favorável a outrem.